Publicado por Caetano Notari

Se há uma coisa que nos iguala é a busca pelo topo. Pelo aumento de vendas, recorde na corrida ou desenvolvimento de um novo mercado. No mundo digital também, e a principal é a busca pelo topo do Google. Será que vale a pena cortar caminho?

O começo da Internet no Brasil

Eu me lembro do começo da Internet aqui no Brasil. Usava um modem, tinha um acesso de 14.4K por telefone e pagava caro por algumas horas conectado à Internet. Era a pré-história da Web, um mar de sites com textos mal formatados e algumas imagens. Conseguir achar um site novo era uma tarefa dura e para isso contava com o Alta Vista e o WebCrawler.

Os resultados eram muito ruins, mas para o conteúdo limitado da época, funcionavam a contento. Muitos anos depois, um amigo me mostrou a novidade, o tal do Google que achava as coisas como nenhum outro.

A grande invenção do Google

O segredo do Google foi ter desenvolvido um mecanismo de ranking para o conteúdo catalogado pela sua ferramenta. Antes, os sites de busca contavam quantas vezes as palavras-chave apareciam na página. Não davam bons resultados, e era difícil achar algo que prestasse.

google_logo_300px1Para fazer algo diferente os fundadores do Google olharam a realidade e viram que quanto mais se fala de um assunto, mais importante ele é. Artistas são populares quando têm as revistas de fofoca fazendo artigos sobre eles, músicos a mesma coisa.

Foi a grande invenção do Google, o PageRank, que atribuía às páginas um valor de acordo com a sua popularidade. E na Internet, nada era mais concreto do que uma conexão de outro lugar para a sua página, fazendo um linkback, ou link como é comumente chamado.

Não demorou muito para o pessoal entender como isso funcionava, e começaram aí as atividades de SEO – Search Engine Optimization, ou Otimização para Mecanismos de Buscas em Português. Eram pessoas e empresas que se especializaram nas técnicas de como subir na escala do Google, mas como tudo na vida tem atalhos, o mercado negro apareceu.

O mercado negro da Internet – SEO BlackHat

blackhat_seo1Estávamos no auge do trabalho de SEO BlackHat, o nome dada àqueles que usam táticas proibidas pelo Google, Bing e outros. Para aparecer no topo valia tudo, de criação de conteúdo sem qualidade, mas com palavras-chave, até o desenvolvimento de ferramentas que criavam milhares de links fraudulentos para seu conteúdo. O negócio era tão descarado, que os sites continham textos como o abaixo:

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Por um tempo funcionou extremamente bem. Fazer dinheiro tinha uma receita fácil: criava-se um site falando bem de um produto, usavam-se todas as técnicas para criar milhares de links e no final cobrava-se uma comissão do vendedor. Isso era o affiliate marketing na sua pior face.

Só que esses resultados começaram a comprometer a qualidade da pesquisa do Google e isso não poderia continuar. Foi aí que apareceu o xerife responsável pelos principais ajustes no sistema de pesquisa. Como nos filmes de velho oeste, deram dois tiros e derrubaram quase todos os malfeitores.

O xerife em ação – Google implementa alterações nos seus algoritmos

O primeiro tiro foi o Panda em 2011, considerado um terremoto de grandes proporções na Web. Ele afetou 1 em cada 8 buscas no mundo todo. Da noite para o dia muitos sites sumiram do ranking, levando vários proprietários à ruina.

O segundo tiro veio no ano seguinte, 2012, sob o nome de Penguin. Nessa levou para o buraco sites que abusavam da otimização ilegal para subir no ranking. Para enganar o Google criavam páginas e páginas com frases sem sentido, tentando repetir as principais palavras-chave. O exemplo abaixo, em inglês, foi retirado do Google Webmaster Tools e mostra como esta técnica beira o ridículo:

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O Penguin também trouxe uma arma secreta, o SEO Negativo. Antes, cada link positivo deixava seu site mais próximo do topo, e os ruins, apenas não contavam. Agora, cada link fraudulento contava de forma negativa, deixando seu site cada vez mais distante.

Para eliminar esse impacto, a limpeza em muitos casos teve que ser feita link a link. Imaginem o esforço para remover dezenas de milhares de links, ocusto era altíssimo. Nessa hora, muitos donos de site simplesmente abandonaram o que já tinham, e recomeçaram do zero com um endereço novo.

A ilusão da facilidade hoje no Brasil

Conhecendo os impactos, parece que hoje o Blackhat já morreu. Em muitos lugares sim, mas sempre tem alguém querendo um atalho.

Uma combinação de ganância com inocência leva muita gente a recorrer à esses serviços sem saber. Basta ir ao mercadolivre.com.br e pesquisar por “primeira pagina do Google”, e as ofertas aparecem. Ninguém informa que depois os proprietários terão que remover um a um os milhares de links fraudulentos.

Não recomendo de forma alguma o uso de táticas BlackHat, tudo que vem rápido, vai embora rápido. Construa sua reputação ao longo do tempo e ela será sólida como deve ser.

A palavra de quem entende:

O Matt Cutts é o chefe mundial do Grupo Web Spam do Google, e fala nesse vídeo o que podemos esperar para o SEO em 2013.

No próximo post falaremos sobre SEO Whitehat e como conseguir subir no ranking de forma correta

E você, ainda se arrisca no BlackHat?

Abraços,
Caetano Notari

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